Justiça concede liberdade a mulher suspeita de matar marido a facada em Vila Bela


A Justiça colocou em liberdade uma mulher de 28 anos suspeita de matar o próprio marido com uma facada no peito, em Vila Bela da Santíssima Trindade. A decisão levou em consideração a alegação de legítima defesa e o histórico de violência doméstica relatado no caso. Marizangela Soares responderá ao processo fora da prisão, mas deverá cumprir medidas cautelares determinadas pelo Judiciário.

Por Luiz Carlos Bordin

Justiça concede liberdade a mulher suspeita de matar marido a facada em Vila Bela

Reprodução

A Justiça concedeu liberdade provisória a Marizangela Soares, de 28 anos, presa em flagrante sob suspeita de matar o marido, Erick Renan Gomes de Moraes, de 26 anos, com uma facada no peito, em Vila Bela da Santíssima Trindade, a 523 quilômetros de Cuiabá. O crime ocorreu na madrugada de sábado (17), após uma discussão entre o casal. Durante a audiência de custódia, a mulher afirmou que agiu para se defender de uma agressão. A decisão foi proferida pelo juiz Magno Batista da Silva, da Comarca de Vila Bela da Santíssima Trindade, durante audiência realizada no domingo (18). O magistrado homologou a prisão em flagrante, mas concedeu à investigada o direito de responder ao processo em liberdade, seguindo determinadas condições estabelecidas pela Justiça.

Segundo o relato apresentado pela investigada, o casal discutia quando Erick teria avançado contra ela. Marizangela afirmou que pegou uma faca que estava ao seu alcance e atingiu o companheiro na região do peito, alegando ter agido em legítima defesa. O histórico do relacionamento também foi considerado durante a análise judicial. Conforme as informações apresentadas na audiência, a mulher já havia obtido uma medida protetiva contra o marido em razão de situações relacionadas à violência doméstica. A Polícia Militar foi acionada e, ao chegar ao local, encontrou Erick já sem vida. Marizangela foi presa em flagrante e posteriormente encaminhada à Justiça.

Durante a audiência de custódia, tanto o Ministério Público quanto a defesa se manifestaram favoravelmente à concessão da liberdade provisória, condicionada ao cumprimento de medidas cautelares alternativas à prisão. Na fundamentação da decisão, o juiz considerou o contexto específico do conflito doméstico, o histórico de violência relatado e a ausência de elementos que, naquele momento, indicassem risco concreto de que a investigada voltasse a cometer delitos ou perturbasse a ordem pública. O magistrado também levou em consideração a situação familiar da mulher, que é mãe de três filhos: dois meninos, de 12 e 5 anos, e uma menina, de 10 anos. Conforme trecho da decisão, o juiz avaliou que o cenário de risco relacionado ao conflito entre o casal não subsistia da mesma forma após a morte do companheiro.

Apesar de deixar a prisão, Marizangela deverá cumprir medidas cautelares determinadas pela Justiça durante o andamento do processo. Entre as obrigações estão comparecer mensalmente em juízo, manter atualizados o endereço residencial e o número de telefone, apresentar-se sempre que for intimada para atos processuais e não sair da Comarca de Vila Bela da Santíssima Trindade sem autorização judicial prévia. A concessão da liberdade provisória não representa o encerramento do caso nem uma decisão definitiva sobre a responsabilidade criminal da investigada. As circunstâncias da morte e a alegação de legítima defesa deverão ser examinadas no decorrer da apuração e do processo judicial.