Miradolense ou mirassolense? Gentílico de Mirassol D’Oeste desperta debate sobre norma e oficialidade


Poucos detalhes despertam tanto a curiosidade sobre a identidade de uma cidade quanto a forma correta de chamar quem nela nasceu. Em Mirassol d’Oeste, no oeste de Mato Grosso, essa questão vai além da gramática e frequentemente gera dúvidas entre moradores e visitantes. Afinal, o correto é "mirassolense" ou "miradolense"? Embora uma das formas pareça mais natural do ponto de vista linguístico, a resposta oficial revela uma particularidade que diferencia o município de todas as cidades da região.

Por Luiz Carlos Bordin

Miradolense ou mirassolense? Gentílico de Mirassol D’Oeste desperta debate sobre norma e oficialidade

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Uma dúvida frequente entre moradores e visitantes de Mirassol d’Oeste, em Mato Grosso, tem despertado discussões sobre a forma correta de identificar quem nasce no município. Enquanto muitos utilizam o termo “mirassolense”, os registros oficiais adotam “miradolense” como gentílico da cidade.

Do ponto de vista da língua portuguesa, “mirassolense” segue o padrão mais comum de formação de gentílicos, utilizando o sufixo “-ense”, empregado em diversos nomes de cidades brasileiras. Por isso, a palavra é considerada uma construção linguística regular e de fácil compreensão.

Entretanto, a denominação oficial reconhecida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é “miradolense”. A forma foi consolidada historicamente e passou a integrar documentos administrativos, publicações oficiais e registros estatísticos do município.

A diferença chama ainda mais a atenção quando comparada a municípios vizinhos da região oeste de Mato Grosso. Em Glória d’Oeste, o gentílico oficial é gloriense; em Figueirópolis d’Oeste, figueiropolense; e em Lambari d’Oeste, lambariense. Nos três casos, as denominações acompanham a formação normalmente esperada pela língua portuguesa. Já em Mirassol d’Oeste, a forma oficial “miradolense” representa uma exceção, resultado de uma tradição histórica e administrativa consolidada ao longo dos anos.

Essa particularidade ajuda a explicar por que muitos moradores utilizam espontaneamente o termo “mirassolense”, embora “miradolense” seja a forma oficialmente empregada pelos órgãos públicos. A coexistência das duas denominações alimenta um debate que vai além da gramática, envolvendo aspectos culturais, históricos e de identidade local.

O caso evidencia que a língua portuguesa convive tanto com regras de formação de palavras quanto com convenções estabelecidas pelo uso e pela oficialidade. Em Mirassol d’Oeste, a discussão sobre o gentílico mostra como a identidade de uma cidade pode ser marcada não apenas pela tradição linguística, mas também pelas escolhas que se consolidam ao longo de sua história.