Por Luiz Carlos Bordin
Luiz Alves/Secom
Cuiabá vive, em 2025, uma das piores ondas de influenza das últimas décadas. De acordo com o Boletim Epidemiológico de Vigilância dos Vírus Respiratórios divulgado nesta sexta-feira (7) pela Secretaria Municipal de Saúde, os casos de gripe causados pelos vírus influenza A e B aumentaram mais de 1.000% em relação ao ano anterior.
O levantamento mostra que 15 pessoas morreram por complicações da doença neste ano, sendo 13 idosos — todos sem registro de vacinação recente. A ausência de imunização tem sido apontada como um dos principais fatores de agravamento, especialmente entre os grupos de risco.
Em 2024, o município havia registrado 115 casos de influenza. Neste ano, o número saltou para 1.268 infecções entre moradores da capital, além de outros casos de pessoas atendidas em unidades de saúde de Cuiabá, mas residentes em outros municípios.
O avanço colocou a influenza à frente da Covid-19 em circulação geral, algo que não acontecia desde o início da pandemia.
O vírus também preocupa pela alta incidência em crianças de 0 a 6 anos, faixa etária que concentra mais da metade das infecções em 2025. O mesmo padrão é observado com o vírus sincicial respiratório (VSR), responsável pela bronquiolite. Dos 500 casos notificados, 478 atingem bebês e crianças pequenas — cerca de 95% do total.
Enquanto a influenza avança, os registros de Covid-19 apresentaram redução de 66% neste ano, caindo de mais de quatro mil casos em 2024 para pouco mais de 1,4 mil em 2025. Mesmo assim, a doença ainda aparece entre as principais causas de internação por síndrome respiratória aguda grave (SRAG), especialmente entre pessoas com comorbidades.
Somando todos os vírus respiratórios, Cuiabá já contabiliza 1.853 internações e 238 mortes por SRAG em 2025 — sendo 150 de moradores da capital. A taxa de letalidade entre residentes chega a 6,7%, uma das mais altas da série histórica.
Segundo a Secretaria de Saúde, a combinação de baixa adesão à vacinação, maior circulação de pessoas e o retorno de variantes que estavam inativas desde antes da pandemia explicam o aumento expressivo de casos. As principais complicações entre as vítimas foram pneumonia, insuficiência respiratória e descompensação de doenças crônicas.
Com o período chuvoso e a chegada de frentes frias, a tendência é que a circulação dos vírus respiratórios continue alta nas próximas semanas. As autoridades pedem atenção especial a crianças, idosos e pessoas com doenças pré-existentes, que compõem o grupo mais suscetível a complicações graves.
“A vacinação é a principal ferramenta para evitar hospitalizações e mortes. O cenário de 2025 mostra claramente o impacto da falta de imunização”, reforça a Secretaria Municipal de Saúde.
Enquanto a Covid-19 perde força, o ciclo dos vírus respiratórios mostra novas ameaças. Em Cuiabá, o recado da influenza é claro: a prevenção por meio da vacina nunca foi tão urgente.