Por Luiz Carlos Bordin
O Cemitério Campo Belo segue no centro de denúncias e críticas da população de São José dos Quatro Marcos, diante da falta de espaço para sepultamentos e da ausência de uma solução definitiva por parte da gestão municipal. Famílias relatam dificuldades para enterrar seus entes queridos, em um cenário que se arrasta há anos.
A situação tem gerado ainda mais questionamentos ao envolver o histórico político do prefeito Jamis Silva Bolandin. Em 2018, quando ainda era vereador, ele chegou a denunciar problemas no cemitério, inclusive com vídeos gravados no local. No entanto, já próximo da metade do segundo mandato como prefeito, a crise persiste sem resolução concreta.
Em 2023, ainda no primeiro mandato, o gestor afirmou que buscava alternativas para ampliar o espaço. Na prática, porém, medidas emergenciais adotadas geraram controvérsia, como a autorização para sepultamentos em áreas destinadas a visitas, orações e acendimento de velas. Outra proposta que causou repercussão foi a possibilidade de desapropriação de jazigos adquiridos por famílias, por meio de decreto do Executivo.
Mais recentemente, novas decisões ampliaram a polêmica. Parte da estrutura frontal do cemitério foi removida e substituída por tapumes de zinco, permitindo a utilização de áreas externas, como calçada e acostamento, para novos sepultamentos. Há relatos de que a expansão pode avançar até a via pública, o que levanta preocupações sobre dignidade, legalidade e planejamento urbano.
Diante da falta de espaço, o próprio prefeito já admitiu a possibilidade de encaminhar sepultamentos para outros municípios, o que aumentou a insatisfação popular.
A principal justificativa da gestão tem sido a demora no licenciamento ambiental de uma área anexa ao cemitério, que teria sido adquirida ainda em 2023 por meio de permuta. O processo depende da autorização da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso. No entanto, conforme o próprio órgão, o licenciamento segue etapas definidas e pode ser concluído em prazo estimado de até seis meses.
Diante disso, a população questiona: por que, após mais de três anos, o processo ainda não foi finalizado?
Além disso, declarações do prefeito sobre a intenção de licitar a nova área apenas após a regularização levantam dúvidas sobre o planejamento e a condução do problema. Outro ponto que tem gerado comentários é o fato de o gestor elogiar frequentemente um parente que administra um cemitério em Cáceres, o que levanta questionamentos sobre possíveis interesses futuros — ainda sem esclarecimentos públicos.
Enquanto isso, moradores seguem cobrando respostas e soluções efetivas. O espaço permanece aberto para que a Prefeitura se manifeste oficialmente sobre a situação, considerada urgente por envolver não apenas infraestrutura, mas respeito e dignidade às famílias do município.
